{"id":2693,"date":"2012-03-28T12:13:38","date_gmt":"2012-03-28T15:13:38","guid":{"rendered":"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/?p=2693"},"modified":"2012-03-28T12:13:38","modified_gmt":"2012-03-28T15:13:38","slug":"mitos-contra-educacao-a-distancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/2012\/03\/28\/mitos-contra-educacao-a-distancia\/","title":{"rendered":"Aprendizagem a Dist\u00e2ncia: dos Mitos \u00e0s Evid\u00eancias Cient\u00edficas"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/caros-amigos-fev-2010.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-2694\" title=\"caros-amigos-fev-2010\" src=\"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/caros-amigos-fev-2010.png\" alt=\"caros-amigos-fev-2010\" width=\"200\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/caros-amigos-fev-2010.png 200w, https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2012\/03\/caros-amigos-fev-2010-120x150.png 120w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/a>Na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 2011 a revista Caros Amigos publicou a mat\u00e9ria &#8220;Ensino a dist\u00e2ncia rebaixa a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds&#8221; da jornalista L\u00facia Rodrigues. A\u00a0ABED enviou para os editores da revista, resposta esperando a publica\u00e7\u00e3o da mesma, contudo n\u00e3o recebemos a aten\u00e7\u00e3o do direito de resposta. Por este motivo divulgamos a seguir o link mat\u00e9ria publicada e a resposta da\u00a0ABED sobre a mat\u00e9ria.<\/strong><\/p>\n<p><strong> <a href=\"http:\/\/sender3aclick.mailsender.com.br\/Redir?ae14ff182b4664b324ec96e9803d4f42&amp;fb81f5c4dd9eb0c2f86329424cca9b13\" target=\"_blank\">Revista Caros amigos : &#8220;<\/a><a href=\"http:\/\/sender3aclick.mailsender.com.br\/Redir?ae14ff182b4664b324ec96e9803d4f42&amp;fb81f5c4dd9eb0c2f86329424cca9b13\" target=\"_blank\">Ensino a Dist\u00e2ncia rebaixa qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds&#8221;<\/a><\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><a href=\"http:\/\/carosamigos.terra.com.br\/index2\/index.php\/component\/content\/article\/157-edicao-175\/2069-ensino-a-distancia-rebaixa-qualidade-da-educacao-no-pais\" target=\"_blank\"><span style=\"font-size: x-small;\">http:\/\/carosamigos.terra.com.<wbr>br\/index2\/index.php\/component\/<\/wbr><wbr>content\/article\/157-edicao-<\/wbr><wbr>175\/2069-ensino-a-distancia-<\/wbr><wbr>rebaixa-qualidade-da-educacao-<\/wbr><wbr>no-pais<\/wbr><\/span><\/a><\/span><\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>CAROS AMIGOS &#8211; A resposta 14\/11\/2011 <\/strong><\/p>\n<h2>Aprendizagem a Dist\u00e2ncia: dos Mitos \u00e0s Evid\u00eancias Cient\u00edficas<\/h2>\n<p><em>por\u00a0Fredric M.\u00a0Litto <\/em><\/p>\n<p>O Brasil cresce lenta, mas continuamente, na mira de uma posi\u00e7\u00e3o de real destaque entre as na\u00e7\u00f5es. Por\u00e9m, cinco s\u00e9culos de atraso no setor educacional no pa\u00eds d\u00e3o evid\u00eancias dos fatores que prejudicaram a cria\u00e7\u00e3o de uma for\u00e7a de trabalho cuja qualifica\u00e7\u00e3o plena poderia nos igualar aos pa\u00edses lideres. Enquanto o Brasil registra apenas 13% dos seus jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior, Argentina, Chile e Bol\u00edvia gozam de porcentagens acima dos 30%. Pa\u00edses da Europa, Am\u00e9rica do Norte e \u00c1sia ostentam taxas que v\u00e3o de 60% a 85% (esta \u00faltima da\u00a0Coreia do Sul). Enquanto houver ceticismo e desinteresse do governo, com a cumplicidade da m\u00eddia, o Brasil n\u00e3o ter\u00e1 a m\u00e3o de obra qualificada para sustentar suas pr\u00f3prias necessidades internas na oferta de qualidade de vida social e de realiza\u00e7\u00e3o profissional para todos os seus cidad\u00e3os. Por exemplo, at\u00e9 faltam caminhoneiros hoje porque um segmento significativo desses profissionais \u00e9 incapaz de operar computadores, instrumentos necess\u00e1rios para receber e dar instru\u00e7\u00f5es e informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para incluir mais pessoas nos programas de educa\u00e7\u00e3o formal, n\u00e3o formal e informal, muitas vozes est\u00e3o recomendando o aumento do uso de \u201caprendizagem a dist\u00e2ncia\u201d, modalidade educacional que normalmente significa separa\u00e7\u00e3o f\u00edsica entre o professor (ou outra fonte de informa\u00e7\u00e3o e conhecimento) e o aprendiz. Seja empregando material impresso distribu\u00eddo via correio, seja pelo uso de r\u00e1dio, televis\u00e3o, audiocassetes, DVDs ou internet, a aprendizagem a dist\u00e2ncia \u00e9 conhecida, de longa data, por sua capacidade de alcan\u00e7ar indiv\u00edduos em lugares remotos, oferecendo acesso ao conhecimento b\u00e1sico e avan\u00e7ado, certificando os alunos cuja compet\u00eancia deve se provar equivalente aos conhecimentos obtidos. Mesmo com essa caracter\u00edstica de democratiza\u00e7\u00e3o do saber, h\u00e1 cr\u00edticos \u00e0 modalidade militando contra seu uso no pa\u00eds. Raramente dando exemplos, baseando-se essencialmente em criticas capciosas de caracter\u00edsticas que n\u00e3o s\u00e3o exclusivas \u00e0 modalidade, eles revelam sua incapacidade de entender o significado das tecnologias de ruptura que est\u00e3o mudando a sociedade atual. Confusos e desorientados quanto \u00e0s novas possibilidades de comunica\u00e7\u00e3o, \u00e0 altera\u00e7\u00e3o de pap\u00e9is (sociais, profissionais) e ao poder de indiv\u00edduos, grupos e institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, devido \u00e0 for\u00e7a transformadora das novas tecnologias, eles tentam deter a implanta\u00e7\u00e3o de novos m\u00e9todos de ensinar, de aprender e de trabalhar.<\/p>\n<p>Bem conhecido entre aqueles que\u00a0leem muito \u00e9 o delicioso xingamento, supostamente atribu\u00eddo aos chineses, \u201cQue voc\u00ea viva em tempos interessantes!\u201d, cuja sutileza sugere que o destinat\u00e1rio do ep\u00edteto sofra o flagelo do ceticismo reacion\u00e1rio, da ansiedade e do terror provocados por mudan\u00e7as importantes na sociedade, a exemplo do pique de v\u00e1rias civiliza\u00e7\u00f5es que romperam com seu passado: os \u00e1rabes criaram engenhos de grande complexidade baseados em princ\u00edpios avan\u00e7ados de f\u00edsica e mec\u00e2nica; os chineses aperfei\u00e7oaram armas de guerra. Pa\u00edses e \u00e9pocas deixaram suas marcas: a It\u00e1lia, na Renascen\u00e7a; o Reino Unido na Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Nos Estados Unidos, quando autom\u00f3veis come\u00e7aram a ser desenvolvidos, o esc\u00e1rnio chegou com os carroceiros (\u201cArranja um cavalo!!\u201d) e quando ganharam impulso as pesquisas com c\u00e9lulas-tronco, um presidente ignorante decidiu proibir legalmente seu avan\u00e7o. Por que no Brasil haveria de ser diferente? Foi o \u00faltimo pa\u00eds a abolir a escravid\u00e3o. N\u00e3o bastasse nossa burocracia cartorial, escriv\u00e3es resistiram em aceitar m\u00e1quinas de escrever (\u201cS\u00f3 o pr\u00f3prio punho serve!!\u201d, gritaram). Oswaldo Cruz sofreu um linchamento moral pela m\u00eddia ao se empenhar em campanhas contra a febre amarela. Tamb\u00e9m aqui grandes blocos de educadores em todos os n\u00edveis lutaram contra a introdu\u00e7\u00e3o de computadores na aprendizagem.<\/p>\n<p>Cientificamente, a resist\u00eancia a mudan\u00e7as implica numa configura\u00e7\u00e3o de neur\u00f4nios em cada indiv\u00edduo, determinando se ser\u00e1 um \u201cprogressivo\u201d (receptivo a mudan\u00e7as, reconhecendo a possibilidade de redu\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7os f\u00edsicos, a amplia\u00e7\u00e3o de oportunidades para adquirir novos e diversos conhecimentos), ou um \u201cmantenedor do <em>status quo<\/em>\u201d (aquele que insiste em submeter sua vida a um \u201csteady-state\u201d (estado-cont\u00ednuo), ou seja, quanto mais est\u00e1tico melhor. Faltando-lhes a capacidade de empatia, estes \u00faltimos tamb\u00e9m s\u00e3o partid\u00e1rios do retrocesso na vida dos outros (como o eunuco que, n\u00e3o podendo sentir certos prazeres, n\u00e3o quer que outros o sintam).<\/p>\n<p>Mundialmente, aqueles que estudam a tecnologia educacional procuram a inova\u00e7\u00e3o apropriada (praticidade, efici\u00eancia, custo-benef\u00edcio) de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, a fim de n\u00e3o engessar, regimentar, automatizar, ou desumanizar a aprendizagem. O prop\u00f3sito \u00e9 aprofundar a compreens\u00e3o, estender o alcance do aluno a fontes de informa\u00e7\u00e3o e de conhecimento al\u00e9m das fronteiras naturais, pol\u00edticas, econ\u00f4micas e ideol\u00f3gicas. Quando especialistas nesse ramo de investiga\u00e7\u00e3o se encontram em conclaves acad\u00eamicos, relatam que parece existir um fen\u00f4meno curioso entre educadores em geral: 20% s\u00e3o progressivos, querem experimentar novidades tecnol\u00f3gicas que possam aperfei\u00e7oar sua meta de levar alunos a novos patamares de compreens\u00e3o; 20% s\u00e3o conservadores, pois n\u00e3o apenas resistem a qualquer oferta de experimenta\u00e7\u00e3o, como tamb\u00e9m encetam campanhas difamat\u00f3rias, promovem diatribes sem fundamenta\u00e7\u00e3o \u00e9tica, cient\u00edfica ou a necess\u00e1ria evid\u00eancia\u00a0fatual\u2014o que tamb\u00e9m se exige de jornalistas s\u00e9rios, que se obrigam a apurar resultados de pesquisas, a investigar os exemplos majoritariamente de sucesso, a despeito dos recalcitrantes e a ouvir todos os lados envolvidos. O restante, 60%, s\u00e3o educadores considerados \u201cnormais\u201d, relativamente flex\u00edveis e abertos &#8211; dependendo da dire\u00e7\u00e3o dos ventos&#8212;sindicatos progressivos ou regressivos; burocratas educacionais paranoicos, obcecados com \u201ccomando e controle\u201d, autores de ondas de regulamenta\u00e7\u00e3o para justificar seu poder e seus empregos; e governistas com vis\u00e3o real do futuro ou \u201cpol\u00edticos carreiristas\u201d interessados apenas em ser reeleitos.<\/p>\n<p>Herdeiros de uma tradi\u00e7\u00e3o educacional prec\u00e1ria, sem originalidade e elitista, desconhecedores de l\u00ednguas estrangeiras, cujo dom\u00ednio lhes permitiria(?) acompanhar estreitamente as inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas e culturais desenvolvidas em pa\u00edses que se destacaram em inova\u00e7\u00f5es, muitos brasileiros imaginam que suas pr\u00f3prias cren\u00e7as e seus valores s\u00e3o compartilhados universalmente. Uma vez que o ensino superior a dist\u00e2ncia entrou no pa\u00eds h\u00e1 menos de duas d\u00e9cadas, eles acham que ainda \u00e9 algo temerariamente novo, h\u00e1 pouco tempo em fase experimental. A aprendizagem a dist\u00e2ncia no ensino superior come\u00e7ou mais de um s\u00e9culo e meio atr\u00e1s, no Reino Unido, quando a Universidade de Londres (fundada como \u201ca universidade do povo\u201d), criou, em 1858 o seu \u201cSistema Externo\u201d, ou cursos por correspond\u00eancia. Mahatma Gandhi (1869-1948), morando na col\u00f4nia brit\u00e2nica da \u00c1frica do Sul, fez todo o curso de Direito numa \u00e9poca na qual um navio transportando o correio levava dois meses para transitar entre Londres e seu pa\u00eds. Nelson Mandela, prisioneiro na Cidade do Cabo por suas atividades contra o apartheid, tamb\u00e9m fez o curso de Direto a dist\u00e2ncia de Londres, mas foi impedido de obter o diploma, n\u00e3o conseguindo autoriza\u00e7\u00e3o para deixar a pris\u00e3o a fim de realizar o exame final do curso que o habilitaria profissionalmente. Quatro ganhadores do Pr\u00eamio Nobel em ci\u00eancias obtiveram seus bacharelados via Sistema Externo da Universidade de Londres. Vale lembrar que\u00a0T.S. Eliot, o mais importante poeta de l\u00edngua inglesa no s\u00e9culo XX, foi professor dos cursos desse Sistema, de 1916 a 1919.<\/p>\n<p>A partir de 1870, em muitas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas na Am\u00e9rica do Norte, cursos por correspond\u00eancia levando a t\u00edtulos acad\u00eamicos foram ministrados com sucesso, e continuam sendo oferecidos at\u00e9 hoje via televis\u00e3o e internet. Esse fato n\u00e3o apenas consolida o m\u00e9rito dessa modalidade de aprendizagem, mas tamb\u00e9m sua crescente qualidade. Entre as institui\u00e7\u00f5es com \u201csistemas externos\u201d podem ser citados, por exemplo, o renomado Instituto de Tecnologia de Massachusetts-MIT, as Universidades da Calif\u00f3rnia, Carolina do Norte (a mais antiga universidade p\u00fablica dos Estados Unidos), Maryland (a maior universidade p\u00fablica americana), Estadual de Nova York, Estadual da Pensilv\u00e2nia, Nebraska, e muitas outras. No Reino Unido, Canad\u00e1, Austr\u00e1lia, Espanha, Alemanha, Noruega, Finl\u00e2ndia, Indon\u00e9sia, China, Mal\u00e1sia, Paquist\u00e3o, \u00cdndia, Turquia, Gr\u00e9cia, \u00c1frica do Sul h\u00e1 institui\u00e7\u00f5es\u00a0<em><\/em><em>dual-mode<\/em> (oferecendo ensino superior presencial e a dist\u00e2ncia) ou\u00a0<em><\/em><em>single-mode<\/em> (oferecendo apenas cursos mediados por tecnologia), mantidas pelo governo ou pela iniciativa privada. Se fosse t\u00e3o nefasto, intrinsecamente t\u00e3o sem-qualidade, como explicar esse sucesso?<\/p>\n<p>Aqueles que criticam a aprendizagem a dist\u00e2ncia erram ao exigir uma educa\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas elitistas para todos, algo n\u00e3o fact\u00edvel por raz\u00f5es econ\u00f4micas (mundo afora, \u00e9 raro encontrar institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que n\u00e3o cobram taxa de matr\u00edcula, muitas vezes proporcional \u00e0 condi\u00e7\u00e3o financeira dos candidatos, que se diferenciam pela capacita\u00e7\u00e3o intelectual e pelos interesses de engajamento profissional.. Os \u201celitistas\u201d querem uma educa\u00e7\u00e3o \u201coxfordiana\u201d para cada estudante: reuni\u00f5es individuais semanais ou mensais com seu tutor, um catedr\u00e1tico munido de cachimbo,\u00a0sherry e refestelado em poltronas de couro. Faz bonito no cinema, mas quando \u00e9 necess\u00e1rio atender milh\u00f5es de aprendizes, \u00e9 invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses asi\u00e1ticos perceberam, quarenta anos atr\u00e1s, que uma na\u00e7\u00e3o moderna precisa, sim, de poucas institui\u00e7\u00f5es de alt\u00edssima qualidade para aqueles que demonstravam habilidades cognitivas privilegiadas. Paralelamente, outras institui\u00e7\u00f5es foram implantadas para qualificar os milh\u00f5es de profissionais necess\u00e1rios para a manuten\u00e7\u00e3o de uma sociedade complexa e din\u00e2mica. Seguindo o modelo criado em 1969 no Reino Unido, a Universidade Aberta (sem vestibular, mas com exig\u00eancias acad\u00eamicas rigorosas e, desde o in\u00edcio, oferecendo t\u00edtulos acad\u00eamicos tradicionais), servia de modelo \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de outras institui\u00e7\u00f5es de sucesso, como a Universidade Nacional a Dist\u00e2ncia\u00a0Indira Gandhi, atualmente com 3.200.000 estudantes cursando bacharelado, mestrado e doutorado. O Brasil resistiu em criar sua Universidade Aberta at\u00e9 poucos anos atr\u00e1s, devido ao conservadorismo de educadores, burocratas educacionais e do pr\u00f3prio Congresso Nacional. Mas hoje a\u00a0UAB tem 200.000 alunos, e espera-se que chegue a ultrapassar a marca de um milh\u00e3o nos pr\u00f3ximos anos. Gratuita, mas com um exame de admiss\u00e3o rigorosamente elaborado, e exig\u00eancias acad\u00eamicas obrigatoriamente s\u00e9rias, a\u00a0UAB representa uma das solu\u00e7\u00f5es para tirar o Brasil da sua estagna\u00e7\u00e3o na forma\u00e7\u00e3o de profissionais em n\u00famero e qualidade que o pa\u00eds merece.<\/p>\n<p>Criticar sem oferecer solu\u00e7\u00f5es alternativas equivalentes e vi\u00e1veis \u00e9 o calcanhar de Aquiles daqueles que atacam a aprendizagem a dist\u00e2ncia. Se apenas a metade dos munic\u00edpios brasileiros oferece ensino superior presencial, como dizer que tentativas de estender acesso aos estudos avan\u00e7ados atrav\u00e9s da\u00a0EAD n\u00e3o sejam democr\u00e1ticas? Qual \u00e9 a alternativa? Se mais de 10% da popula\u00e7\u00e3o brasileira inclui cidad\u00e3os com necessidades especiais, ent\u00e3o como criticar, sem ser hip\u00f3crita, o emprego da tecnologia para levar escolas e universidades at\u00e9 as casas desses conterr\u00e2neos? Se a maioria dos universit\u00e1rios que estuda a dist\u00e2ncia distingue-se como \u201cpobre\u201d, ent\u00e3o esse fator de inclus\u00e3o deveria ser motivo de j\u00fabilo, e n\u00e3o um argumento para denegrir a modalidade. \u00c9 lament\u00e1vel que as elites do pa\u00eds nunca tenham se esfor\u00e7ado na procura de excel\u00eancia em todos os setores. \u201cO \u00f3timo \u00e9 inimigo do bom!\u201d \u00e9 a racionaliza\u00e7\u00e3o que prevalece na cultura. Entre os exemplos brasileiros mais representativos que estudaram a dist\u00e2ncia est\u00e3o Florestan Fernandes, celebrado soci\u00f3logo da USP, que cursou o ensino m\u00e9dio na modalidade chamada \u201cmadureza\u201d; a senadora Marina Silva, que fez o ensino m\u00e9dio atrav\u00e9s do Telecurso; e o deputado Vicentinho (Vicente Paulo da Silva), que completou o fundamental e o m\u00e9dio pelo mesmo projeto educativo via TV. S\u00e3o fatos indiscut\u00edveis, positivos e indicativos do futuro.<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da aprendizagem a dist\u00e2ncia est\u00e3o mentalmente engessados, presos a uma vis\u00e3o ultrapassada da educa\u00e7\u00e3o, nost\u00e1lgica e confusa. Percebendo que o paradigma educacional est\u00e1 em mudan\u00e7a no mundo todo, e incapazes, eles mesmos, de buscar novas formas de aprender e de trabalhar, revelam sintomas que podem ser agrupados sob a designa\u00e7\u00e3o de s\u00edndrome de paralisia paradigm\u00e1tica.<\/p>\n<p>\u201cSem o toque humano&#8230;.o corpo a corpo, carne e osso, com o professor&#8230;.o olho no olho&#8230;.como um educando poder\u00e1 interagir com uma m\u00e1quina?&#8230;qual a experi\u00eancia que uma m\u00e1quina poder\u00e1 passar a um indiv\u00edduo?\u201d Essas manifesta\u00e7\u00f5es nost\u00e1lgicas, apela\u00e7\u00f5es n\u00e3o convincentes \u00e0s nossas emo\u00e7\u00f5es (<em><\/em><em>pathos<\/em>), ignoram a l\u00f3gica dos fatos (<em>logos<\/em>): as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o obtendo exatamente os refor\u00e7os interativos afetivos e de companheirismo quando estudam a dist\u00e2ncia, usando as novas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o: netbooks, laptops, tablets, e i-phones. Em setembro de 2011, a empresa Cisco publicou os resultados de uma pesquisa com rec\u00e9m egressos de universidades em 14 pa\u00edses sobre \u201csuas prefer\u00eancias de m\u00eddia\u201d. Relato de um ter\u00e7o dos entrevistados com acesso \u00e0 Web: \u201ca Internet era t\u00e3o vital a eles quanto comida, \u00e1gua, ar e abrigo\u201d; 50% afirmaram que, para eles, a internet n\u00e3o era t\u00e3o importante&#8230;mas quase isso mesmo\u201d. Entre universit\u00e1rios, 55% admitiram que \u201cn\u00e3o poderiam viver sem a internet\u201d, enquanto 62% dos rec\u00e9m-graduados e com empregos novos constataram a mesma rela\u00e7\u00e3o com a tecnologia. Pesquisas feitas no Canad\u00e1 como parte do\u00a0Tele-Learning Program, revelaram que, quando um curso universit\u00e1rio on-line est\u00e1 bem produzido, a aprendizagem dos estudantes \u00e9 mais eficaz do que na modalidade presencial. Por qu\u00ea? Porque curso a dist\u00e2ncia \u00e9 o resultado do trabalho de uma equipe de profissionais, e n\u00e3o de um \u00fanico profissional, o professor (como no ensino feito presencialmente). Assim, a equipe garante um produto mais burilado, mais caprichado. Com as novas gera\u00e7\u00f5es de aprendizes coladas nas novas tecnologias, \u00e9 pouco defens\u00e1vel a pretensa predomin\u00e2ncia de abordagens centen\u00e1rias na aprendizagem.<\/p>\n<p>Nostalgia tem seu lugar, sem d\u00favida. Da mesma forma que o cinema n\u00e3o substituiu o teatro, e a televis\u00e3o n\u00e3o eliminou o cinema, teremos, no futuro, institui\u00e7\u00f5es oferecendo todo o espectro pedag\u00f3gico-did\u00e1tico, do mais tradicional (provavelmente sem cachimbo!) ao mais automatizado (veja, por exemplo, a empresa norte-americana\u00a0Rosetta Stone, nova no Brasil, especializada no ensino on-line, totalmente sem professor, virtual ou presencial, no ensino de idiomas estrangeiros\u2014talvez n\u00e3o seja apropriada para todo mundo, mas j\u00e1 \u00e9 um sucesso em muitos pa\u00edses).<\/p>\n<p>Os cr\u00edticos da aprendizagem a dist\u00e2ncia costumam ser falaciosamente gen\u00e9ricos em suas acusa\u00e7\u00f5es, sem oferecer exemplos de \u201cfalta de qualidade\u201d (e para serem convincentes, teriam que citar exemplos n\u00e3o encontrados tamb\u00e9m no ensino presencial no pa\u00eds). Inconformado com essas generaliza\u00e7\u00f5es superficiais, em 2010 fiz um levantamento das reclama\u00e7\u00f5es de alunos brasileiros de aprendizagem a dist\u00e2ncia dirigidas ao Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o &#8211; SEED-MEC, \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Estudantes de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia &#8211;\u00a0ABE-EAD e \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia &#8211; ABED. Os resultados, classificados por tipo de irregularidade acad\u00eamica ou de consumidor, foram apresentados e analisados no meu cap\u00edtulo \u201cAs Infra\u00e7\u00f5es que Prejudicam a Imagem de EAD\u201d, no livro Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia &#8211; O Estado da Arte, Vol.2 (Fredric M.\u00a0Litto e Marcos Formiga, orgs; S\u00e3o Paulo: Pearson, 2011; pp. 367-73). Recomendo a leitura desse elenco de \u201ccrimes\u201d, de pr\u00e1ticas censur\u00e1veis (e amplamente compartilhadas pelas institui\u00e7\u00f5es presenciais, p\u00fablicas e privadas), a todos que querem criticar a aprendizagem a dist\u00e2ncia e dela n\u00e3o t\u00eam conhecimento.<\/p>\n<p>Tratar a aprendizagem a dist\u00e2ncia como uma pr\u00e1tica de amadores, exclusivamente \u201cca\u00e7a-n\u00edquel\u201d e sem uma literatura cient\u00edfica que acompanhe seu desenvolvimento, \u00e9 uma atitude inculta, agravada pelo preconceito. H\u00e1 numerosas revistas cient\u00edficas dedicadas totalmente \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o rigorosa da modalidade e cuja leitura revela as conquistas, a extens\u00e3o, a profundidade e os problemas da \u00e1rea. Todas est\u00e3o dispon\u00edveis on-line e devem ser acompanhadas por pessoas que se consideram profissionais (ou cr\u00edticos) da aprendizagem a dist\u00e2ncia. Entre as mais conceituadas est\u00e3o: Open\u00a0Learning (Reino Unido),\u00a0American\u00a0Journal\u00a0of\u00a0<wbr>Distance\u00a0Education (EUA),\u00a0International\u00a0Review\u00a0of<\/wbr><wbr>\u00a0Research\u00a0of Open\u00a0and\u00a0Distance\u00a0Learning (Canad\u00e1),\u00a0Distance\u00a0Education (Canad\u00e1),\u00a0Distance\u00a0Education (Austr\u00e1lia), Revista Ibero-Americana de\u00a0Educaci\u00f3n a Dist\u00e2ncia (Espanha), e nossa pr\u00f3pria Revista Brasileira de Aprendizagem Aberta e a Dist\u00e2ncia (Brasil). Da mesma forma, quem realmente se interessa pelo assunto e quer conferir as estat\u00edsticas do desenvolvimento da modalidade no Brasil, tanto no mundo acad\u00eamico quanto no mundo de treinamento corporativo, deveria consultar a publica\u00e7\u00e3o anual CensoEAD.BR: Relat\u00f3rio Anal\u00edtico da Aprendizagem a Dist\u00e2ncia no Brasil (S\u00e3o Paulo: Pearson\u00a0Education e ABED, 2011) <\/wbr><\/p>\n<p>Os ingleses t\u00eam uma oportuna resposta para aqueles que criticam, injustamente ou n\u00e3o, qualquer coisa: \u201c<em><\/em><em>The<\/em>\u00a0proof\u00a0of\u00a0the\u00a0pudding is in eating!\u201d [O teste do pudim est\u00e1 em com\u00ea-lo ], ou seja, para testar algo plenamente \u00e9 preciso experiment\u00e1-lo voc\u00ea mesmo! \u00c9 dif\u00edcil encontrar cr\u00edticas \u00e0 aprendizagem a dist\u00e2ncia feitas com evid\u00eancias e an\u00e1lises produzidas por pessoas que levaram a bom termo um ou mais cursos a dist\u00e2ncia. Por outro lado, temos comprova\u00e7\u00e3o contundente da efic\u00e1cia dessa modalidade atrav\u00e9s dos resultados do\u00a0ENADE &#8211; Exame Nacional de Desempenho Educacional, teste anual organizado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o com os formandos de centenas de universidade brasileiras: em 2007, as maiores notas em 7 das 13 \u00e1reas de conhecimento foram obtidas por aqueles que estudaram a dist\u00e2ncia. Em 2008 (o \u00faltimo ano em que o\u00a0INEP &#8211; MEC revelou as diferen\u00e7as entre os alunos das duas modalidades), os alunos da\u00a0EAD tiveram m\u00e9dias de notas de 38,87, enquanto os alunos do presencial tiveram 36,78 (uma diferen\u00e7a de 2,09). As \u00e1reas de conhecimento nas quais os alunos a dist\u00e2ncia superaram os do presencial foram Engenharia (Grupo VII), Filosofia, F\u00edsica, Tecnologia em Gest\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o Industrial e Ci\u00eancias Sociais.<\/p>\n<p>Aprendi, em muitos anos de pesquisa, duas \u201cregras n\u00e3o escritas\u201d sobre como avaliar evid\u00eancia: \u201cn\u00e3o d\u00e1 para brigar contra os fatos\u201d; e \u201cquando voc\u00ea n\u00e3o consegue\u00a0arguir contra os fatos, ataque o questionador\u201d. A primeira frase me deixa\u00a0tranquilo sobre a efic\u00e1cia e o sucesso futuro da aprendizagem a dist\u00e2ncia. A segunda me deixa \u00e0 espreita, aguardando os ataques <em>ad\u00a0hominem<\/em> que conservadores, sem fatos para comprovar suas afirma\u00e7\u00f5es, insistem em lan\u00e7ar na dire\u00e7\u00e3o do futuro e sua\u00a0consequente tecnologia, que ser\u00e1 t\u00e3o merit\u00f3ria quanto mais democr\u00e1tica for a aprendizagem a ela subordinada.<\/p>\n<p><em><span style=\"font-size: x-small;\">Fredric\u00a0M.\u00a0Litto \u00e9 professor titular aposentado da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes da Universidade de S\u00e3o Paulo, onde lecionou de 1971 a 2003; foi Coordenador-Fundador do laborat\u00f3rio de pesquisa \u201cEscola do Futuro da USP\u201d, de 1989 a 2006; e \u00e9 Presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Educa\u00e7\u00e3o a Dist\u00e2ncia &#8211;\u00a0ABED desde 1995. Em 30 de novembro de 2011, ele recebeu seu segundo Pr\u00eamio Jabuti da C\u00e2mara Brasileira do Livro, na categoria Tecnologia e Inform\u00e1tica, pelo seu livro Aprendizagem a Dist\u00e2ncia (S\u00e3o Paulo: Imprensa Oficial do Estado de S\u00e3o Paulo, 2010).<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: x-small;\"><em>Equipe ABED<\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\"><em><a href=\"tel:11%203275.3561\" target=\"_blank\">11 3275.3561<\/a><\/em><\/span><br \/>\n<span style=\"font-size: x-small;\"><em><a href=\"mailto:abed@abed.org.br\" target=\"_blank\">abed@abed.org.br<\/a><\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na edi\u00e7\u00e3o de outubro de 2011 a revista Caros Amigos publicou a mat\u00e9ria &#8220;Ensino a dist\u00e2ncia rebaixa a qualidade da educa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds&#8221; da jornalista L\u00facia Rodrigues. A\u00a0ABED enviou para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-2693","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-educacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2693","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2693"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2693\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2693"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2693"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2693"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}