{"id":136,"date":"2007-06-17T11:51:29","date_gmt":"2007-06-17T14:51:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.meiradarocha.jor.br\/news\/2007\/06\/17\/gutemberg-aquele-maldito-capitalista\/"},"modified":"2013-08-04T17:59:53","modified_gmt":"2013-08-04T20:59:53","slug":"gutemberg-aquele-maldito-capitalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/2007\/06\/17\/gutemberg-aquele-maldito-capitalista\/","title":{"rendered":"Gutemberg, aquele maldito capitalista!"},"content":{"rendered":"<p>Quando o ourives <a title=\"P\u00e1gina na Wikip\u00e9dia\" href=\"http:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Johannes_Gutenberg\"><strong>Johannes de Gutemberg<\/strong><\/a> teve a ideia de cortar uma xilogravura em pedacinhos e reutilizar as letrinhas numa prensa de uva, n\u00e3o deve ter imaginado o tsunami que provocaria na cultura ocidental. Mas ele sabia que era uma boa ideia e que deveria dar um bom dinheiro.<!--more--><\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, 1440, fim da idade m\u00e9dia, um <strong>livro <\/strong>escrito \u00e0 m\u00e3o tinha <strong>pre\u00e7o inimagin\u00e1vel<\/strong>. Praticamente apenas reis iletrados e a igreja podiam ter livros. Com a inven\u00e7\u00e3o e com as melhorias do seu auxiliar, cal\u00edgrafo Peter Sch\u00f6ffer (pouco citado coautor da imprensa), <strong>Gutemberg <\/strong>esperava ser bem monetizado. Para conseguir isso, associou-se ao banqueiro <strong>Johannes F\u00fcst<\/strong>, e tomou emprestado 800 ducados (equivalente a mais de mil d\u00f3lares, segundo document\u00e1rio no History Channel), depois mais 800, para criar uma empresa.<\/p>\n<p>O negocinho tinha <strong>inova\u00e7\u00e3o<\/strong>, tinha <strong>empreendedorismo<\/strong>, tinha <strong>pesquisa e desenvolvimento<\/strong>, <strong>objetivava lucro<\/strong> e precisava de <strong>investimento <\/strong>para funcionar. At\u00e9 nome, o empreendimento tinha: <strong>Das Werk der B\u00fccher, A F\u00e1brica de Livros<\/strong>. O primeiro objeto feito em s\u00e9rie no mundo era um <strong>produto cultural<\/strong>! E, claro, a primeira f\u00e1brica se ralou nas m\u00e3os da banca: o v\u00e9io Gut n\u00e3o conseguiu pagar os empr\u00e9stimos e F\u00fcst tomou as oficinas. Tomou tamb\u00e9m o auxiliar, pois Sch\u00f6ffer se bandeou pros lados do usur\u00e1rio (empregado \u00e9 sempre ingrato!). BTW, mais tarde, F\u00fcst tentou vender ao rei da Fran\u00e7a um livro impresso como se fosse escrito \u00e0 m\u00e3o, maior estelionato. Foi descoberto, foi preso, fugiu. Banca \u00e9 banca em qualquer \u00e9poca.<\/p>\n<p>Porque <strong>dava muita grana<\/strong>, a imprensa se espalhou pela Europa em apenas dez anos, e pelo mundo logo em seguida. Muito mais r\u00e1pido do que os computadores se espalharam hoje, tomadas as devidas propor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas livro impresso ainda era caro: custava o <strong>sal\u00e1rio de tr\u00eas anos de um artes\u00e3o<\/strong>. O papel era feito de trapos. Um quilo de trapo custava o mesmo que um quilo de alum\u00ednio, hoje (History Channel, 2007). S\u00f3 depois da inven\u00e7\u00e3o de papel de madeira foi que\u00a0 a publica\u00e7\u00e3o em grande escala ficou barata e pode deslanchar.<\/p>\n<p>O pecado cat\u00f3lico do lucro j\u00e1 tinha sido arrasado pela Reforma, n\u00e3o tinha mais jeito. Surgiram os panfletos opinativos e noticiosos. Com o sucesso dessas publica\u00e7\u00f5es, as pessoas viram que tamb\u00e9m podiam ganhar dinheiro vendendo papel com tinta, como os <strong>editores de livros<\/strong>. Viram tamb\u00e9m que podiam se monetizar mais um pouquinho colocando <strong>an\u00fancios <\/strong>na publica\u00e7\u00e3o. Surgiu o jornalismo impresso moderno (esse que est\u00e1 em decad\u00eancia).<\/p>\n<p>Qualquer semelhan\u00e7a com <strong>blogs <\/strong>n\u00e3o \u00e9 mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<h3>Bibliografia sobre Gutemberg<\/h3>\n<ol>\n<li><small>Bibliografia: La Composici\u00f3n en Artes Graficas, Biblioteca Profesional E.P.S. Dom Bosco: Barcelona, 1970.<\/small><\/li>\n<\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando o ourives Johannes de Gutemberg teve a ideia de cortar uma xilogravura em pedacinhos e reutilizar as letrinhas numa prensa de uva, n\u00e3o deve ter imaginado o tsunami que [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24,25,15,10,33],"tags":[],"class_list":["post-136","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-design-grafico","category-diagramacao","category-editoracao","category-jornalismo","category-livros"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}