{"id":101,"date":"2007-06-14T16:15:38","date_gmt":"2007-06-14T19:15:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.meiradarocha.jor.br\/news\/2007\/06\/14\/o-mito-do-virtual-e-da-virtualidade\/"},"modified":"2013-08-29T12:21:30","modified_gmt":"2013-08-29T15:21:30","slug":"o-mito-do-virtual-e-da-virtualidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/2007\/06\/14\/o-mito-do-virtual-e-da-virtualidade\/","title":{"rendered":"O mito do &#8220;virtual&#8221; e da &#8220;virtualidade&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2007\/06\/dilbert-virtual.gif\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-medium wp-image-2586\" title=\"dilbert-virtual\" alt=\"http:\/\/dilbert.com\/strips\/comic\/2012-01-24\/\" src=\"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2007\/06\/dilbert-virtual-300x93.gif\" width=\"300\" height=\"93\" \/><\/a>Com o desenvolvimento das comunica\u00e7\u00f5es computadorizadas em rede, se espalharam pelo globo os termos &#8220;<strong>virtual<\/strong>&#8221; e &#8220;<strong>virtualidade<\/strong>&#8220;. Neste artigo, procuro apresentar informa\u00e7\u00f5es e argumentos que desmentem &#8212; ou tornam desnecess\u00e1rias &#8212; algumas concep\u00e7\u00f5es atualmente usadas para o conceito de &#8220;<strong>virtualidade<\/strong>&#8220;. Aqui, penso no termo &#8220;<strong>virtual<\/strong>&#8221; e suas implica\u00e7\u00f5es \u00e0 luz da Semi\u00f3tica peirceana, que estuda o relacionamento dos fen\u00f4menos do universo.<!--more--><\/p>\n<h3>Virtual \u00e9 o que n\u00e3o existe?<\/h3>\n<p>H\u00e1 muitas concep\u00e7\u00f5es de virtual:<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"http:\/\/www.google.com\/search?q=define:virtual\"><strong>Virtua<\/strong>l segundo o Google<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/webopedia.internet.com\/TERM\/v\/virtual.html\"><strong>Virtual<\/strong> segundo a Webopedia<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Virtual\"><strong>Virtual<\/strong> segundo a Wikipedia<\/a>.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Algumas das mais comuns s\u00e3o estas:<\/p>\n<ul>\n<li>Virtual \u00e9 algo que \u00e9 apenas potencial ainda n\u00e3o realizado (a defini\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica).<\/li>\n<li>Virtual \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 f\u00edsico, apenas conceitual.<\/li>\n<li>Virtual \u00e9 algo que n\u00e3o \u00e9 real.<\/li>\n<li>Virtual \u00e9 a simula\u00e7\u00e3o de algo.<\/li>\n<\/ul>\n<h3>Tudo \u00e9 virtual?<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Um dos mais conhecidos autores a tratar do tema \u00e9 o franc\u00eas Pierre L\u00e9vy. Em seu livro &#8220;O que \u00e9 virtual?&#8221;, ele define:<\/p>\n<blockquote dir=\"ltr\" style=\"margin-right: 0px;\">\n<p dir=\"ltr\">&#8220;o virtual n\u00e3o se op\u00f5e ao real, mas sim ao atual. Contrariamente ao poss\u00edvel, est\u00e1tico e j\u00e1 constitu\u00eddo, o virtual \u00e9 como o complexo problem\u00e1tico, o n\u00f3 de tend\u00eancias ou de for\u00e7as que acompanha uma situa\u00e7\u00e3o, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolu\u00e7\u00e3o: a atualiza\u00e7\u00e3o.&#8221; (L\u00c9VY, 1996, p.16)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">\u00c9 uma defini\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica. Como filosofia, \u00e9 uma especula\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ci\u00eancia (Eu n\u00e3o conhe\u00e7o Filosofia, mas todos os meus alunos ou colegas que estudam a mat\u00e9ria dizem &#8220;Pff&#8230;&#8221; e desconversam quando toco no nome de <strong>L\u00e9vy<\/strong>).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na tentativa de explicar melhor o que \u00e9 &#8220;<strong>virtual<\/strong>&#8220;, <strong>L\u00e9vy <\/strong>descreve a situa\u00e7\u00e3o de uma empresa com departamentos longe da matriz. O que tamb\u00e9m n\u00e3o ajuda em nada na defini\u00e7\u00e3o. Que diferen\u00e7a esta empresa com teletrabalhadores teria em rela\u00e7\u00e3o a uma empresa com salas em diversos andares de um pr\u00e9dio? Sem se preocupar com um termo mal definido, L\u00e9vy vai adiante:<\/p>\n<blockquote dir=\"ltr\" style=\"margin-right: 0px;\">\n<p dir=\"ltr\">&#8220;A virtualiza\u00e7\u00e3o pode ser definida como o movimento inverso da atualiza\u00e7\u00e3o. Consiste em uma passagem do atual ao virtual, em uma &#8216;eleva\u00e7\u00e3o \u00e0 pot\u00eancia&#8217; da entidade considerada. A virtualiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma desrealiza\u00e7\u00e3o (a transforma\u00e7\u00e3o de uma realidade num conjunto de poss\u00edveis), mas uma muta\u00e7\u00e3o de identidade, um deslocamento do centro de gravidade ontol\u00f3gico do objeto considerado: em vez de se definir principalmente por sua atualidade (&#8216;uma solu\u00e7\u00e3o&#8217;), a entidade passa a encontrar sua consist\u00eancia essencial num corpo problem\u00e1tico&#8221; (L\u00c9VY, 1996, p.17).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">Algu\u00e9m entendeu isto? Poderia dar um exemplo na vida real? Poderia dar um exemplo da utilidade deste conceito? Por favor, ent\u00e3o deixe as explica\u00e7\u00f5es no espa\u00e7o de coment\u00e1rios abaixo, porque, para mim, isto \u00e9 incompreens\u00edvel e inaplic\u00e1vel em ci\u00eancias.<\/p>\n<h3>Virtualmente tudo<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">A partir da\u00ed, sem que o conceito de &#8220;<strong>virtual<\/strong>&#8221; tenha sido esclarecido, <strong>L\u00e9vy <\/strong>usa o termo para criar mais especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica: passa a falar de &#8220;<strong>virtualiza\u00e7\u00e3o<\/strong>&#8221; aplicada a, praticamente, todos os aspectos da vida humana: &#8220;Tr\u00eas processos de virtualiza\u00e7\u00e3o fizeram emergir a esp\u00e9cie humana: o desenvolvimento das linguagens, a multiplica\u00e7\u00e3o das t\u00e9cnicas e a complexifica\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es&#8221; (L\u00c9VY, 1996, p. 70). E assim por diante. Ao final do livro, fica-se imaginando que <em>tudo<\/em> \u00e9 <strong>virtual<\/strong>.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Acho surpreendente que conceitos t\u00e3o mal explicados estejam t\u00e3o disseminados no ambiente acad\u00eamico, e que L\u00e9vy seja citado como grande autoridade no assunto.<br \/>\nTalvez os ingl\u00eases tenham raz\u00e3o quando zombam da &#8220;disserta\u00e7\u00e3o francesa&#8221;.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Na impossibilidade de aplicar em ci\u00eancias (Comunica\u00e7\u00e3o, Informa\u00e7\u00e3o e Pedagogia, neste caso) conceitos filos\u00f3ficos mal explicados, vou me ater apenas ao conceitos de virtual usado pelo senso comum.<\/p>\n<h3>Virtualmente hype<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Em Pedagogia, \u00e9 freq\u00fcente o uso de &#8220;virtual&#8221; na designa\u00e7\u00e3o de sistema de colabora\u00e7\u00e3o em rede. Como em &#8220;ambientes virtuais de aprendizagem&#8221;, por exemplo. Em inform\u00e1tica, \u00e9 muito usado para designar sistemas de anima\u00e7\u00e3o tridimensional em tempo real: &#8220;realidade virtual&#8221;. &#8220;Virtual&#8221; tamb\u00e9m \u00e9 um termo usado largamente para designar qualquer relacionamento mediado por redes de computador. A midia de inform\u00e1tica, principalmente, ajuda a popularizar a &#8220;virtualidade&#8221;, porque \u00e9 uma palavra que sempre chama aten\u00e7\u00e3o, est\u00e1 sempre ligada a novas tecnologias e ao <em>hype<\/em> tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<h3>Realidade virtual<\/h3>\n<p>O termo <a href=\"http:\/\/www.google.com\/search?&amp;q=define:virtual+reality\">realidade virtual<\/a> se popularizou a partir de 1989, cunhado por <a href=\"http:\/\/www.advanced.org\/jaron\/\">Jaron Lanier<\/a>. Segundo ele pr\u00f3prio:<\/p>\n<blockquote dir=\"ltr\" style=\"margin-right: 0px;\"><p>&#8220;Eu originalmente me aproximei do termo como uma rea\u00e7\u00e3o ou uma resposta a um termo que j\u00e1 estava por a\u00ed. Tinha um cara chamado Ivan Sutherland &#8212; ele \u00e9 o pai da computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica &#8212; e ele usava o termo &#8216;mundos virtuais&#8217;, o qual na verdade remete a uma fil\u00f3sofa das artes chamada Suzanne Langer. Ela falava sobre mundos virtuais nos anos 1950, antes que houvesse tecnologia para imagin\u00e1-los; ela estava usando o termo como uma met\u00e1fora&#8221;. (<a href=\"http:\/\/www.extremetech.com\/article2\/0,1558,100970,00.asp\">BEHR, 2002<\/a>)<\/p><\/blockquote>\n<p dir=\"ltr\">Chegamos, ent\u00e3o \u00e0 fonte do &#8220;virtual&#8221; usado pelos informatas. Descobrimos, tamb\u00e9m, que o uso do termo por Langer \u00e9 uma met\u00e1fora.<\/p>\n<h3>Virtual filosofia?<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Suzanne Langer, uma fil\u00f3sofa da m\u00fasica, descreveu estas concep\u00e7\u00f5es de virtual no livro <strong>Sentimento e Forma<\/strong>, publicado originalmente nos anos 1950 (LANGER, 1980). Para ela, olhando um quadro figurativo criar\u00edamos em nossas mentes um &#8220;mundo virtual&#8221;. Um quadro de paisagem criaria aquela paisagem em nossa mente.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Este tipo de opera\u00e7\u00e3o mental (representa\u00e7\u00f5es em nossa mente causadas por fen\u00f4menos externos) foi explicado por Charles Sanders Peirce h\u00e1 mais de cem anos, ao definir a Semi\u00f3tica como a ci\u00eancia dos signos. Para ele, signo \u00e9 algo que est\u00e1 no lugar de outra coisa, representando algo para algu\u00e9m (PEIRCE, 1977, p. 46). Um quadro de paisagem estaria no lugar da paisagem real, por exemplo. Representaria a paisagem, seria um signo ic\u00f4nico dela.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Mas Peirce pensava Semi\u00f3tica como o estudo da significa\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas entre seres inteligentes. Ele falava na representa\u00e7\u00e3o &#8220;para algu\u00e9m&#8221; porque n\u00e3o era compreendido quando falava em representa\u00e7\u00e3o para &#8220;alguma coisa&#8221;. Os signos n\u00e3o representam, necessariamente, para um ser humano, mas tamb\u00e9m para um outro fen\u00f4meno qualquer. Hoje, por exemplo, podemos ver como semiose um el\u00e9tron interagindo e significando algo para um pr\u00f3ton e vice-versa, formando uma nova significa\u00e7\u00e3o: um \u00e1tomo de hidrog\u00eanio; \u00e1tomos de hidrog\u00eanio interagindo com \u00e1tomos de oxig\u00eanio formando nova significa\u00e7\u00e3o, a \u00e1gua. E assim por diante, no processo que Peirce chamou de <strong>cadeia semi\u00f3tica<\/strong>, uma rede infinita de significa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Virtualidade \u00e9 um fen\u00f4meno<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Eu uso a Semi\u00f3tica como ferramenta para entender como como o universo se estrutura, desde as menores subpart\u00edculas da mat\u00e9ria at\u00e9 os gigantescos fen\u00f4menos gal\u00e1cticos, passando pelo c\u00e9rebro humano e demais criaturas vivas. E vejo o universo, conforme a Semi\u00f3tica peirceana, como uma complexa rela\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos significando coisas para outros fen\u00f4menos (MEIRA, 2003).<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Pelo conceito de semiose, a concep\u00e7\u00e3o metaf\u00f3rica de &#8220;virtualidade&#8221; de Langer, de que o c\u00e9rebro forma &#8220;um mundo virtual&#8221;, \u00e9 apenas <strong>mais um n\u00edvel da semiose<\/strong>. N\u00e3o haveria, ent\u00e3o, um &#8220;outro mundo&#8221; dentro de nossas cabe\u00e7as, mas apenas <strong>mais um n\u00edvel de significa\u00e7\u00e3o<\/strong> fazendo parte da cadeia semi\u00f3tica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Al\u00e9m disso, concep\u00e7\u00e3o mental n\u00e3o \u00e9 algo irreal, &#8220;<strong>virtual<\/strong>&#8220;, porque nossos pensamentos s\u00e3o coisas reais e materiais: pelo que se sabe do c\u00e9rebro, hoje, os pensamentos s\u00e3o definidos por liga\u00e7\u00f5es sin\u00e1pticas entre c\u00e9lulas nervosas. Nossas concep\u00e7\u00f5es mentais, nossas id\u00e9ias, nossos sentimentos, nossos conceitos, nossa imagina\u00e7\u00e3o, tudo isto s\u00e3o <strong>coisas f\u00edsicas<\/strong>, intera\u00e7\u00f5es entre c\u00e9lulas nervosas mediadas por neurotransmissores e energia el\u00e9trica. <strong>Pensamentos s\u00e3o esmagadoramente f\u00edsicos<\/strong>. N\u00e3o s\u00e3o exatamente coisas, mas intera\u00e7\u00f5es entre coisas aparentemente f\u00edsicas, que por sua vez s\u00e3o intera\u00e7\u00f5es entre outras coisa, que s\u00e3o intera\u00e7\u00f5es entre outras coisas, infinitamente. Tudo no universo \u00e9 resultado de intera\u00e7\u00f5es entre fen\u00f4menos, num complexo &#8220;joguinho de armar&#8221;.<\/p>\n<h3>Ambientes virtuais<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Por que sistemas de ensino por computadores em redes seriam &#8220;virtuais&#8221;? Em oposi\u00e7\u00e3o ao ensino presencial? Vamos analisar, ent\u00e3o uma intera\u00e7\u00e3o presencial.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Quando pessoas se encontram ao vivo, elas s\u00f3 sabem da presen\u00e7a da outra pelos cinco sentidos do ser humano.<\/p>\n<ul dir=\"ltr\">\n<li><strong>Vis\u00e3o<br \/>\n<\/strong>Vemos outra pessoa gra\u00e7a \u00e0 luz. Ent\u00e3o somos mediados pela luz. N\u00e3o vemos a outra pessoa, <strong>vemos a luz que refletiu nela<\/strong> e chegou \u00e0s nossas retinas.<\/li>\n<li><strong>Audi\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>N\u00e3o ouvimos a pessoa: <strong>ouvimos as vibra\u00e7\u00f5es no ar<\/strong> feitas pela outra pessoa.<\/li>\n<li><strong>Olfato, gusta\u00e7\u00e3o, tato<br \/>\n<\/strong>Podemos sentir o cheiro da pessoa. Mas o que sentimos s\u00e3o informa\u00e7\u00f5es nervosas desencadeadas por subst\u00e2ncias exaladas pela outra pessoa e que chegam ao nosso sistema olfativo. Da mesma forma, o tato e a gusta\u00e7\u00e3o.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Estes tr\u00eas \u00faltimos s\u00e3o sentidos que nos informam sobre outras pessoas, mas n\u00e3o s\u00e3o muito usados na educa\u00e7\u00e3o. Portanto, n\u00e3o me interessam neste momento. Vou me ater \u00e0 vis\u00e3o e \u00e0 audi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>O que n\u00e3o \u00e9 virtual?<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Uma intera\u00e7\u00e3o &#8220;ao vivo&#8221;, ent\u00e3o, <strong>\u00e9 mediada pela luz e pelo ar<\/strong>. Nas intera\u00e7\u00f5es por computador, estes dois meios s\u00e3o traduzidos mais algumas vezes: a luz e o som s\u00e3o transformados em impulsos el\u00e9tricos, depois digitalizados, transformados em orienta\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas (nos disco de computador), em energia el\u00e9trica (nos circuitos eletr\u00f4nicos), em luz (nas fibras \u00f3pticas), em ondas eletromagn\u00e9ticas, etc, e decodificados novamente na outra ponta da comunica\u00e7\u00e3o. O que aconteceu, na verdade, foi traduzir algumas vezes a informa\u00e7\u00e3o, mediar mais algumas vezes uma media\u00e7\u00e3o que j\u00e1 existia. <strong>Toda intera\u00e7\u00e3o \u00e9 mediada, n\u00e3o importa sua natureza<\/strong>. Isto acontece com pessoas ou com qualquer outra coisa no universo.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A rigor, <strong>n\u00e3o existe diferen\u00e7a entre uma intera\u00e7\u00e3o ao vivo e uma intera\u00e7\u00e3o por computador<\/strong>, a n\u00e3o ser na forma de maior resolu\u00e7\u00e3o e qualidade da media\u00e7\u00e3o. Uma intera\u00e7\u00e3o ao vivo tem maior resolu\u00e7\u00e3o, maior quantidade de informa\u00e7\u00f5es que uma media\u00e7\u00e3o por computador. Mas tamb\u00e9m \u00e9 mediada. Sendo ambas intera\u00e7\u00f5es mediadas e tendo ambas a mesma natureza, como todas as media\u00e7\u00f5es, n\u00e3o faz sentido diferenci\u00e1-las, a n\u00e3o ser pelo nome da m\u00eddia: <strong>intera\u00e7\u00f5es ao vivo<\/strong>, <strong>intera\u00e7\u00f5es online<\/strong>, por exemplo.<\/p>\n<h3>Considera\u00e7\u00f5es finais<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Em Pedagogia, Inform\u00e1tica e Comunica\u00e7\u00e3o, os termos &#8220;virtual&#8221; e &#8220;virtualidade&#8221; s\u00e3o definidos imprecisamente ou impropriamente e n\u00e3o explicam a natureza dos fen\u00f4menos em que s\u00e3o aplicados.<\/p>\n<p>Como significado oposto ao real, n\u00e3o devem ser usados porque todas as intera\u00e7\u00f5es que existem no universo s\u00e3o reais, inclusive a imagina\u00e7\u00e3o. Ou, visto pelo \u00e2ngulo da Semi\u00f3tica, todos os fen\u00f4menos do universo s\u00e3o significa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Como significado de simula\u00e7\u00e3o ou de intera\u00e7\u00f5es por redes de computadores, &#8220;virtual&#8221; n\u00e3o deve ser usado porque leva \u00e0 confus\u00e3o com o uso hist\u00f3rico do termo. Existem op\u00e7\u00f5es mais precisas: <strong>ambiente online<\/strong> ou <strong>ambiente simulado<\/strong> s\u00e3o bem mais explicativos que &#8220;ambiente virtual&#8221;. Realidade simulada, melhor que &#8220;realidade virtual&#8221;. Como met\u00e1fora de sala de aula presencial, \u00e9 desnecess\u00e1rio, pois a fun\u00e7\u00e3o da met\u00e1fora seria explicar algo complicado, e, hoje, praticamente todo mundo entende o que \u00e9 comunica\u00e7\u00e3o via internet sem necessidade de met\u00e1fora.<\/p>\n<h3>Bibliografia<\/h3>\n<ol>\n<li>BEHR, Mary E. <strong>Who is Jaron Lanier?<\/strong> INTERVIEW: Jaron Lanier, &#8220;Virtual Reality&#8221; Inventor. ExtremeTech, 12 fev. 2002. Site web em &lt;<a href=\"http:\/\/www.extremetech.com\/article2\/0,1558,100970,00.asp\">http:\/\/www.extremetech.com\/ article2\/ 0,1558,100970,00.asp<\/a>&gt;. Lido em 19 jan. 2005.<\/li>\n<li>CHAVES, Eduardo O. C. <strong>A Virtualiza\u00e7\u00e3o da Realidade<\/strong>. Documento HTML dispon\u00edvel em: <a href=\"http:\/\/www.edutec.net\/Textos\/Self\/COMPUT\/virtual.htm\">http:\/\/www.edutec.net\/Textos\/Self\/COMPUT\/virtual.htm<\/a>. Acesso em: 12 jan. 2006.<\/li>\n<li>LANGER, Suzanne K. <strong>Sentimento e forma.<\/strong> 1. ed. S\u00e3o Paulo: Perspectiva, 1980. 439 p.<\/li>\n<li>L\u00c9VY, Pierre. <strong>O que \u00e9 o virtual?<\/strong> S\u00e3o Paulo: Ed. 34, 1996.<\/li>\n<li>PEIRCE, Charles Sanders, <strong>Semi\u00f3tica<\/strong>, S. Paulo: Editora Perspectiva, 1977.<\/li>\n<li>ROCHA, Jos\u00e9 Antonio Meira da. <strong>Espa\u00e7o e tempo no jornalismo online<\/strong>. Disserta\u00e7\u00e3o de mestrado em Comunica\u00e7\u00e3o na Unisinos. 2003. Documento HTML na Web em &lt;<a href=\"http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/dissert-2007-04-18b.pdf\">http:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-content\/uploads\/2007\/11\/dissert-2007-04-18b.pdf<\/a>&gt;. Acesso em 19 jan. 2005.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.wikipedia.org\/\">WIKIPEDIA<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/google.com.br\/\">GOOGLE<\/a>.<\/li>\n<li><a href=\"http:\/\/www.webopedia.com\/\">WEBOPEDIA<\/a>.<\/li>\n<\/ol>\n<p><strong>Outras leituras<\/strong><\/p>\n<ol>\n<li>SKAGESTAD, Peter. <strong>Peirce, Virtuality, and Semiotic<\/strong>. P\u00e1gina HTML em: &lt;<a href=\"http:\/\/www.bu.edu\/wcp\/Papers\/Cogn\/CognSkag.htm\">http:\/\/www.bu.edu\/wcp\/Papers\/Cogn\/CognSkag.htm<\/a>&gt;. Acesso em: 19 jan. 2005. (N. do A.: a leitura deste <em>paper<\/em> talvez mude tudo o que est\u00e1 escrito acima, ou talvez apenas reforce. Tenho que ler com mais calma).<\/li>\n<li>http:\/\/www.directionsmag.com\/articles\/is-it-time-to-remove-the-term-virtual-from-our-mapping-vocabularies\/186472<\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<ul>\n<li>\u00c9 interessante notar que L\u00e9vy, que tanto fala em difus\u00e3o do conhecimento e intelig\u00eancia coletiva, n\u00e3o tenha colocado nenhum dos seus livros na internet e \u00e9 a favor das anacr\u00f4nicas leis de direito de c\u00f3pia arquitetadas pelo poder econ\u00f4mico. Tenho d\u00favidas se ele realmente entende do que est\u00e1 acontecendo no mundo das informa\u00e7\u00f5es digitais em rede. Em um de seus livros, ele passa o tempo todo falando em informa\u00e7\u00e3o &#8220;digital (num\u00e9rica)&#8221;. Sempre que aparece a palavra &#8220;digital&#8221;, segue a explica\u00e7\u00e3o de que \u00e9 num\u00e9rica. Ora, <strong>computadores digitais n\u00e3o trabalham com informa\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas<\/strong>, apenas com informa\u00e7\u00f5es de <strong>l\u00f3gica bin\u00e1ria<\/strong>. Eventualmente, a informa\u00e7\u00e3o bin\u00e1ria representa n\u00fameros, mas quase sempre, n\u00e3o. Essa informa\u00e7\u00e3o l\u00f3gica bin\u00e1ria pode representar instru\u00e7\u00f5es de m\u00e1quina (o mais comum), cores, sons, cheiros. Portanto, <strong>falar em informa\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas \u00e9 demonstrar uma incompreens\u00e3o fundamental das m\u00eddias digitais<\/strong>.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com o desenvolvimento das comunica\u00e7\u00f5es computadorizadas em rede, se espalharam pelo globo os termos &#8220;virtual&#8221; e &#8220;virtualidade&#8220;. Neste artigo, procuro apresentar informa\u00e7\u00f5es e argumentos que desmentem &#8212; ou tornam desnecess\u00e1rias [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,7,5],"tags":[],"class_list":["post-101","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-internet","category-jornalismo-online","category-midias-digitais"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/meiradarocha.jor.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}