TV a cabo Net Digital

Análise inicial e ajustes da TV a cabo Net Digital em Porto Alegre, bairro Bom Fim. Coisas boas e coisas ruins. Como usar o cabo S-Video, que faz a Net Digital gerar uma das melhores imagens possíveis, com a tecnologia tradicional de televisores. Com recepção por placa de TV em computador, é a própria TV digital Brasileira, pois os computadores fazem uma série de melhoramentos na imagem.

A TV a Cabo analógica, distribuída em Porto Alegre em torno de 2007, tem alguns defeitos chatos:

  • O canal Universal, AXN e alguns outros têm um péssimo som que aumenta e diminui várias vezes por minuto.
  • O canal TNT tem um sinal analógico abaixo da crítica, com péssimo contraste. O rosto de pessoas brancas fica “chapado”, sem volume. Olhe que droga:
    TNT: imagem ruim, com péssimo contraste

Não sei como os antigos assinantes da Net agüentam há anos essa falta de qualidade sem reclamar. Talvez porque estejam acostumadas à imagens ruins de TV. Os aparelhos de TV são mal feitos, a transmissão é ruim, a recepção é descuidada, a imagem é ruim há anos. Como eu uso bastante TV no computador, onde a imagem é várias vezes melhor e qualquer defeito de transmissão aparece, não me conformo com falta de qualidade.

Reclamei à Net várias vezes por email. Na primeira vez, veio o técnico em minha casa e disse que era assim mesmo e que a responsabilidade é dos canais. E o problema continuou. Reclamei mais e recebi um telefonema da Net propondo a troca pelo sistema digital. Preço igual, eu só precisei aceitar o tempo de 18 meses de assinatura, pra não pagar taxa de adesão.

Diga-se de passagem que o atendimento da Net é bom. Sempre responderam por telefone aos meus contatos por email. Demoram alguns dias mas respondem. Parece que a reformulação administrativa da Net deu resultados. Entre outras coisas, melhor atendimento e lucros no final do período.

O resultado da Net Digital é muito bom! A imagem vem sem nenhum ruído visual, tão boa quanto pode ser a imagem do atual sistema de TV sexagenário. Claro, as bordas de áreas verticais contrastantes ficam com o “efeito pente”, resultado do entrelaçamento da TV (só com HDTV não entrelaçado isto foi resolvido), a aprogramação apresenta alguns “artifacts” de imagem resultante da codificação digital Mpeg dos programas, mas quase não se nota.

O feio Set Top Box (STB) preto quadradinho tradicional da Net foi trocado por um bonitinho marca Thomson DCI 10NET fabricado na Zona Franca de Manaus, Brasil. Baixei as especificações do Thomson DCI 1000 em PDF (o link PDF do site da Thomson não funcionou no meu Firefox, tive que usar o Infernet Exploder).

O STB Thomson tem as seguintes entradas e saídas:

  • Painel traseiro do Thomson DCI 1000Entrada do cabo. Por onde entra o sinal digital.
  • Saída coaxial RF. Esta saída apresenta uma imagem muito pior do que os STB analógicos da Net. Muito ruim, cheia de ruídos. Mas é interessante porque eu puxei dela um cabo para meu aparelho de TV no quarto. A surpresa: com esta saída RF eu capto os canais a cabo abertos, como as TV do Legislativo e Judiciário, SBT, TV Guaíba (canal independente do Rio Grande do Sul), canais universitários locais e degustação. Esta saída funciona mesmo com o STB desligado e tem todos os canais analógicos embaralhados.
  • Saída de Áudio e Vídeo (SVHS ou S-Video, separate video). Tem um raro conector mini-DIN de 10 pinos para, segundo o folheto de especificação da Thompson, ligar à entrada SCART de televisores (usada na Europa). Achei um post sobre o conector mini-DIN 10-pin da Net, onde um colaborador disse ter obtido o cabo gratuitamente com a Net. O cabo fornecido teria o conector mini-DIN 10-pin numa ponta e S-VIDEO e 2 RCA para áudio em outra. A melhoria na imagem se dá pela ausência do efeito “dot crawl” (formigamento) na borda de objetos coloridos contrastantes, como em desenhos animados. Algo a ver com a contaminação da faixa de freqüência da luminância (preto e branco) pelo sinal de crominância, típico do vídeo composite. O conector é vendido no Brasil pela Ezaki, assim como o cabo completo, mas custa bastante caro (R$ 122,00 por 3m de cabo). Achei o esquema da pinagem do cabo mini-DIN 10-pin neste post do fórum Home Theatre. Mas parece que é a pinagem errada, conforme comentado numa nota ao pé deste artigo. Solicitei o cabo à Net. Me ligaram, muito gentis, e instalaram o cabo gratuitamente. Normalmente, o cabo é gratuito mas a visita custa 34 reais. Por isso, é melhor pedir esse cabo quando o sistema digital for instalado, e não depois. Peçam todos os cabos, inclusive o do telefone, para usar o Pay Per View. Abaixo, snapshots ampliados 200% de imagem composite e imagem S-Video. A imagem composite é pior do que aparece, porque o formigamento fica se mexendo.
    Imagem compositeImagem S-Video
    Wow! Em televisores comuns, de longe, não se nota tanto, mas em TV por computador, de perto, a diferença é estupidamente gritante.
  • Saída AV CVBS (Composite Video, Blanking and Sync). Usada para ligar o STB à TV. Deve ser usado em vez do conector RF. É fornecido um cabo especial que tem numa ponta um conector parecido com DIN 3mm estéreo mas com mais um contato. Esse cabo tem na outra ponta os 3 tradicionais conectores RCA (aqueles, do início do seculo 20) usados normalmente para áudio e vídeo composite.
  • Saída S/PDIF óptica para áudio digital. Não uso, mas é bom pra colocar o som digital em amplificadores de home theatre. Tem saída Dolbi 5.1. Pena que não dá para ligar ao computador, porque normalmente os micros só têm saída S/PDIF, não entrada. Então, se for comprar Home Theatre, compre com entrada S/PDIF.
  • Conexão telefônica para interação com a central da Net (compras Pay per View, gravação de escores de joguinhos) através de modem de baixa velocidade V.22bis e protocolo TCP/IP. Não uso para não gastar telefonemas. Quando o Pay Per View (R$ 7,00) custar 30% menos que alugar um DVD (R$ 6,00), posso pensar em usar.

Sobre José Antonio Meira da Rocha

Jornalista, professor de Planejamento Gráfico e Mídias Digitais da Universidade Federal de Santa Maria, campus da cidade de Frederico Westphalen, Rio Grande do Sul, Brasil. Doutorando em Design na UFRGS, Porto Alegre, Brasil, 2014.